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Surfari entrevista: Bruna Schmitz

Surfari
Vivemos, respiramos e amamos o que fazemos

Premiações, performance, marketing, produtos. Tudo relacionado ao surf feminino se desenvolveu, principalmente a partir dos anos 90. Certo? Não no nosso país.

No Brasil, nossas atletas carecem de incentivos e patrocínios, não há tours nacionais, e os poucos campeonatos que temos proporcionam uma premiação irrisória. Para consolidar uma carreira no surf profissional, além da competência, é necessário contar com apoio financeiro para realizar viagens, e também possuir uma imagem de acordo com o que a indústria julga ser a de uma surfista. Ou seja, o sucesso nesta profissão não é para todas.

Bruna Schmitz é uma das poucas surfistas brasileiras que se destacam em nível mundial, pela sua relevância junto à marca Roxy e, também, pelas performances que despertam atenção desde a época em que a local de Matinhos (PR) era vista como uma grande promessa do surf nacional.

Através da nossa ativadora e porta-voz feminina do Surfari, Lauren Ferreira, conversamos com Bruna a respeito de sua trajetória, objetivos e dificuldades em ser uma surfista profissional no Brasil.

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Aos 13 anos, Bruninha já tinha marcado seu nome no surfe brasileiro ao ser campeã do Rip Curl Grom Search.

– Na série de filmes do Fiesta Movement, a surfista havaiana Kelia Moniz apresenta seu país à você e Kassia Meador. Se você pudesse fazer uma versão onde você apresentasse o Brasil, em que lugares você gostaria de levar as gringas?

O Brasil é tão grande eu queria poder mostrar ele todo, mas acho que em uma breve seleção eu levaria para os lugares onde marcaram minha carreira aqui no Brasil, começaria por Itacaré/Bahia que eu adoro, depois pararia no Rio porque não é a toa que muito turista vai pra lá tem muito pra ver, e depois iria para Matinhos litoral do Paraná, onde eu cresci e aprendi a surfar e por fim para Florianópolis.

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Bruna, Kelia e Kassia desbravando o Hawaii na série Fiesta Movement.

– A primeira vez que ouvi falar de você foi numa Fluir de 2002, que ainda tenho guardada, e que relata uma viagem que você fez acompanhada do Juninho e do Jihad para o Equador. Foi sua primeira surf trip internacional e você, com 11 anos, relata que ficou com um pouco de medo no inicio porém com o passar do tempo foi se acostumando com a onda e pegou altas. Depois de 11 anos de surf trips, experimentando diversos tipos de onda pelo mundo, tem alguma onda que você lembra que sentiu receio e atualmente fica entre as suas ondas favoritas?

Sim, em todo lugar novo que conheço sempre entro com receio e depois vou relaxando e me acostumado. Uma que marcou foi Sunset Beach no Hawaii, tive medo por um bom tempo, mas depois que eu me qualifiquei e a gente competiu em uma etapa lá, simplesmente tive que aprender e cair na marra e hoje eu perdi o medo, adoro a adrenalina.

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– O Brazilian Storm é visto como um fenômeno muito marcante dentro da elite mundial. Os moleques brasileiros estão desbancando campeões mundiais e conquistando seu lugar no WT. Porém, falando de surf feminino, não vemos isso acontecer. As meninas não alcançaram essa relevância para as marcas e no final das contas ficamos sem apoio para nossas novas promessas. Afinal, o que falta pra vermos o Brasil produzir mais Brunas e Silvanas da mesma maneira que a Austrália e Hawaii produzem?

Falta apoio das marcas pra realizar eventos, campeonatos de surf e apoiar a nova geração. Eu não passo muito tempo no Brasil justamente por causa disso, quando saí da elite achei que iria voltar pra cá e competir o brasileiro profissional, mas não tinha mais. Vejo que as meninas mas novas acabam optando por outros esportes pela falta de estrutura de apoio e competições. Já era difícil quando tinha, e agora esta quase impossível de fazer do surf uma carreira aqui no Brasil.

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Com um surf afiado, atualmente Bruna é uma das poucas brasileiras com patrocínio.

Roxy Trips – Bruna Schmitz from Roxy Brasil on Vimeo.

– Desde pequena você foi tratada como a menina prodígio do surf feminino brasileiro, e não foi a toa que com apenas 19 anos você já estava dentro da elite mundial. Apesar da sua última temporada no WT ter sido em 2010, você não parou de disseminar a cultura surf através de seus patrocinadores, o que marcou seu nome como uma das embaixadoras da Roxy pelo mundo. 2013 foi um ano que você fez várias trips para freesurfing e photoshoots, não esquecendo das participações no QS. Você projeta 2014 da mesma maneira? E uma volta para o WCT é considerada?

Considero com certeza. O surf pra mim não é apenas competir, é um estilo de vida que pretendo seguir até ficar velhinha. Com a saída da elite surgiram diferentes oportunidades dos meus patrocinadores de fazer campanhas da marca, abracei e fui conciliando os dois, viajar para competir e viajar para fazer campanhas. Fui morar na Califórnia até para ficar mais perto de tudo, porque era muita viajem para fazer então de lá fica tudo mais fácil. Ano que vem (2014) tem mais, nunca deixo de sonhar, mas o mundo não para, então eu também não posso parar.

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Bruninha é uma das principais modelos das campanhas de seu patrocinador principal. Foto: Manoela D’Almeida.

Entrevista: Lauren Ferreira

Introdução: Cássio Cappellari

Fotos: roxy.com

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